sábado, 12 de janeiro de 2013

É por amor e por paixão


Inserir a integra desta poesia no tempo ou no espaço é um exercício de menor importância. Associar os seus versos com pessoas ou personalidades é uma dinâmica de peso menor, uma vez que se trata da mais pura obra de ficção.
A validade do texto a seguir é medir as palavras do texto comparando-as com a nossa situação atual e provocar um repensar sobre a nossa realidade do momento.
***
É por amor e por paixão

Esta é a situação:
Vivemos, mais do que antes,
Um momento no qual
Nem o vizinho,
Nem o patrão,
Sabem muito bem a nossa função!


Escrever outra coisa
É papel de alienado,
Ou de não-farmacêutico,
Ou de político interessado
Em ganhar eleição.
Ou de puxa-saco descarado
Que ainda não mostrou
A sua verdadeira intenção.


Os dois primeiros, claro,
Têm o meu perdão.

Dizem que o terceiro
Está mais é preocupado
Com sua polpuda
Verba de representação.
Ou não?
Ou ela é todo por igual
Ao meu piso salarial?
A maioria ou a minoria?
Não nos é importante
Porque sabemos
Exatamente quem são!


O quarto tem, com certeza,
No mínimo,
Um sério problema de retidão.


Não me venham
Com discursos de antemão
Preparados para nos engabelar;
Ou pesquisas de opinião,
Enquanto para eu me empregar
Ter de bradar ao empresário
O braço da lei.
Ainda somos contratados
Não por opção,
Mas, exclusivamente,
Por força da legislação.


Jorram
Faculdades de farmácia
Mas, em muitas, a qualidade
Não é de todas
A mais importante questão.

Depois de formados,
Temos ainda,
Para melhor sobreviver,
Ter de deixar parte boa
De nossos parcos salários
Em cursos de pós-graduação.


Todos ganham
Com este negócio de Farmácia.
Eu não!?

Mas...
Ainda acreditamos na nossa profissão;
Ainda acreditamos na nossa importância,
Cada um, como cidadão,
Dono de um conhecimento
De alto valor,
Para aquele nosso vizinho
E para aquele patrão.


Nada nos desanima.
Mudaremos este momento
Ao mudarmos a nossa visão.
Mudando algumas “companhias” e
Escolhendo melhor aqueles que nos acompanharão.


Ainda há muito que fazer,
Até porque grande parte da sociedade
É cada vez mais induzida
À automedicação,
E outra parte ainda nos pergunta:
“Estudar tanto para ficar atrás de um balcão?”

Farmácia,
Só pode ser por amor
Só pode ser por paixão...


Licença Creative Commons

"É por amor e por paixão" de Carlos Santarem 

é licenciado sob uma 

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